quinta-feira, 2 de junho de 2011

Crónicas de um peregrino urbano (V)

Ponto prévio: gosto de Italia, extrapolando aquilo que conheço; não embirro com os italianos e, durante parte da minha vida profissional, fiz bons amigos destas bandas - o que não aconteceu com alemães ou ingleses; adoro massas, e posso passar dias sem me afastar destes petiscos; estou aqui com vontade e sem qualquer espírito de sacrifício. Feito este esclarecimento, partamos de flor ao peito, como diria o poeta.

Houve aspectos da minha estadia actual em Itália que, de certa forma, me desiludiram. Não sei se essas aspectos pioraram desde que cá vim em medos do anos 80, se é o meu crivo que está mais apertado. Vim descobrir uma Roma suja, desorganizada, com um trânsito caótico e desrespeitoso como só encontrei no Cairo; durante muito tempo considerei as italianas a raça mais bonita ao cimo da Terra. Talvez seja a multidão desmedida de turistas que invade Roma mas, de facto, não encontrei gente elegante. Comigo cruzaram-se raparigas baixas, gordas, abundantes - como diriam os brasileiros - com figuras más e roupas que desfavoreceriam qualquer manequim. Já não são tão elegantes como eram há 30 anos, sou eu que estou mais esquisito ou, pura e simplesmente, andam por outros sítios mais discretos?

Independentemente de tudo, acho que visitar Itália - talvez Roma e Florença - são um must cultural na crónica de viagens de qualquer mortal. A estadia pode tornar-se cansativa, porque há o Coliseu e o Vaticano, a Capela Sistina e a Trinitá dei Monti, a Piazza Navona e a Fontana di Trevi, as várias igrejas, das quais destacaria a de Santo António dos portugueses, S. Pedro Acorrentado e S. João de Latrão. Quem cá vem não pode simplesmente flanar por aí, bebericando bebidas locais em esplanadas elegantes. É preciso ver tudo, tudo mesmo, porque há coisas - a stanza de Rafael, por exemplo - que roçam o divino. Há o muito bom e há o genial - e é de genialidade que vos falo.

Sábado almoçávamos perto da Trinitá dei Monti. Enquanto esperávamos pelas pastas - eu aguardava, sequioso, um rigatoni com rabo de boi - a empregada quis fazer charme, proferindo, com um garbo geográfico simples, um elogio aos elementos femininos do grupo:

- Gosto muito da elegância das mulheres da Europa do norte: Alemanha, Holanda, Dinamarca, Portugal...

JdB

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