quarta-feira, 22 de junho de 2011

Diário de uma astróloga - 22 de Junho de 2011

No passado dia 15 de Junho fiz anos, 61 precisamente. O Universo deu-me um presente extraordinário pois presenciei o eclipse total da Lua.

A compreensão física dum eclipse é fácil, sobretudo para quem é capaz de ver no espaço. Não é o meu caso. Precisei de uma laranja, uma tangerina, um alperche, arames, vários gráficos para passar o exame de astronomia necessário à minha certificação de astróloga nos Estados Unidos. Mas basta saber que duas vezes por ano, por simples condicionalismos de mecânica celeste, o Sol, a Lua e a Terra encontram-se alinhados. Só durantes estes períodos de 37 dias cada é que os eclipses são possíveis. O eclipse da Lua só pode acontecer na Lua Cheia, quando a Terra está entre o Sol e a Lua, e a sombra da Terra fica projectada sobre a Lua, impedindo que esta seja iluminada pelo Sol.

Não olho para o céu vezes suficientes porque a vida me distrai com outras coisas, mas durante a noite do dia 15 fiquei maravilhada. Por um lado, sinto a minha insignificância perante a vastidão cósmica, mas, por outro, atraída pelos mistérios do céu e a ordenação divina, sinto-me acompanhada, parte do Universo, nunca só, nunca ansiosa porque faço parte de uma realidade que me ultrapassa mas que me inclui.

Exactamente ao contrário do Calvin

Na antiguidade, e sobretudo antes de serem percebidos os movimentos orbitais da Terra e da Lua, atribuía-se aos eclipses noções maléficas. Compreendo perfeitamente… porque a Lua foi o primeiro calendário da humanidade, supostamente previsível e, de repente, desaparece. O espetáculo da ocultação da Lua tem algo de mágico, é uma manifestação óbvia de um poder superior, a escuridão assusta, podem imaginar-se papões.

Este eclipse do dia 15 de Junho aconteceu no grau 24 do eixo Gémeos / Sagitário. Quem tem um dos três pontos mais sensíveis do seu horóscopo – Sol, Lua e Ascendente – nestes, ou perto destes graus, tem mais probabilidades de sentir a sua influência. E que género de influência?

A Lua, na carta do céu, representa o nosso mundo emocional, aquilo de que precisamos para nos sentirmos bem, o nosso intimo, o nosso subconsciente, composto de memórias pessoais, de reacções instintivas. A sua ocultação, mesmo momentânea, dá-nos a oportunidade de reconfigurar essa parte de nós que ninguém vê. Quem tiver pontos sensíveis da sua carta a 24 graus de Gémeos ou Sagitário, a energia desta época (mais longa do que o próprio dia do eclipse) permite, através de um trabalho de introspecção, alterar o percurso emocional, deixar para trás hábitos prejudiciais, passar para outro plano. Comparo com o meu computador: quando funciona mal desligo-o (eclipse), faço uma limpeza à sua memória (trabalho pessoal) e torno a acendê-lo (reaparição da Lua). Nada maléfico mas um pouco trabalhoso.. trazendo a esperança de um futuro melhor.

Os eclipses funcionam em ciclos de 19 anos, por isso é bom reflectir no que se passou em meados de Junho de 1992. Que mudanças fiz na minha vida nessa época? E que mudanças estou pronta para fazer agora? Vou usar a luz reacendida desta Lua Cheia potentíssima para “ver” que medos me impedem de prosseguir o meu caminho, quais são os meu hábitos negativos que estão prontos para serem deitados fora. Um deles tem a ver com o medo de escrever em português… parece-me que esse já o deitei fora, o que demonstra a teoria de que os eclipses podem manifestar-se mesmo um mês antes da data do acontecimento.

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Ontem à tarde o Sol entrou no signo de Caranguejo, isto é, o momento a que chamamos Solstício de Verão, quando o Sol, no seu movimento aparente, atinge a maior altura no hemisfério Norte e a menor no hemisfério Sul, e assim tivemos o dia maior do ano e o menor dia do ano, respectivamente.

A data tem bastante significado astrológico mas hoje, ainda mal recomposta da dupla emoção do meus anos e do eclipse total na Lua, não consigo escrever mais nada. Fica para a próxima.

Luiza Azancot

4 comentários:

Anónimo disse...

Esta última semana queixei-me de que um qualquer planeta me andava a atazanar o juízo. Ao ler a sua crónica fiquei sossegada. Afinal esta vontade que tinha de mudar de cena era apenas a influência do eclipse. Olhei para dentro, depois da sua sugestão, e concluo que há coisas que devo deitar fora para atingir a santidade (como dirão alguns leitores assíduos deste blog)no entanto, há outras que devo definitivamente deixar,acarinhar e mostrar, porque são muitas vezes estas que nos adulteram e viciam o percurso emocional saudável.
Obrigada Luiza por nos mostrar o lado doce da Lua.

AnaCC disse...

Luiza,
faltam duas palavras na antepenúltima linha - porque, se recalcadas,são muitas vezes estas que nos adulteram...

Anónimo disse...

Resposta a AnaAnonima
Nao me pronuncio sobre santidade mas sim sobre sanidade que talvez seja a condicao essencial para atingir o outro estado. Obrigada por ter compartilhado a sua experiencia.

Luiza

Maf disse...

Olá Luiza,
já sabia que tinha feito anos, porque uma amiga comum festejou-os consigo nesse lindo lugar onde está. Parabéns, mesmo atrasados. Também vi o eclipse e, na altura, olhei-o simplesmente como um fenómeno natural; agora, com a sua explicação, percebo que se trata, também, de um fenómeno emocional. Sabe, eu tenho a Lua em Escorpião e neste momento estou com as emoções um tanto ou quanto 'out of order'; quem sabe é o eclipse a dizer: faz "reset" ? :-)
Bj. Maf

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