quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Diário de uma (avó) astróloga [7] - 31 Agosto de 2011


Acabou o Verão. Foi óptimo ter todos os netos cá em casa. Vivemos longe uns dos outros e. por isso. dou enorme valor a estas semanas em que estamos todos juntos. Gosto imenso de os ver crescer, perceber quais são os seus gostos e as suas actividades preferidas; enfim vê-los desenvolver as suas personalidades Para a avó astróloga, os netos gémeos são os mais fascinantes, porque levantam questões de ordem psicológica, filosófica e espiritual.

Em Abril de 2007 a minha filha deu à luz gémeos, um rapaz e uma rapariga. São gémeos fraternos com códigos genéticos diferentes, mas com cartas do céu praticamente iguais, uma vez que a Alice e o Oliver nasceram com 1 minuto de diferença.

Em termos de tamanho eram parecidos, mas desde muito pequeninos começaram a mostrar diferenças. Sendo gémeos fraternos e de sexos diferentes têm, obviamente, características físicas diferentes. A mais marcante: o Oliver ficou rapidamente cabeludo e à Alice não havia meio de lhe nascer o cabelo.

Nas primeiras férias que passaram comigo - com três meses - já mostravam feitios diferentes. A Alice parecia gostar de experiências novas – tocar com os pés na areia, riu no primeiro banho de piscina, e o Oliver gostava de adormecer a olhar para as árvores e sorria para as folhas agitadas pelo vento antes da sesta na rede.

Quando ambos tinham 6 meses comecei a notar que, tanto a minha filha como a baby-sitter, usavam palavras diferentes para os descrever. O Oliver era doce como um “caramelo” e Alice uma “fera”. O Oliver choramingava e a Alice gritava. Comentavam a estranheza da Alice ser careca e referiam-se à juba do Oliver.

Nestas férias, passados quatro anos, as diferenças de personalidade mantêm-se. A Alice não pára quieta, nem em frente da televisão, preferindo brincadeiras que envolvam actividade física, e o Oliver gosta de ver televisão, preferindo ser árbitro a competir com os irmãos e primos. A atitude deles perante o mar também é muito diferente, como se pode ver pelas fotografias.


Oliver privilegiando a segurança

  e a Alice recusando qualquer tipo de bóia tentando surfar

A avó astróloga pergunta: como é que dois entes, com as cartas do céu praticamente idênticas e, consequentemente, com padrões básicos de personalidade iguais podem ser tão diferentes? A astrologia não é válida para gémeos? Os símbolos com que trabalho todos os dias não se aplicam?

Em certos meios astrológicos fala-se duma teoria em que os gémeos, na sua infância, dividem a carta ao longo do meridiano (linha quase vertical que termina numa seta), exteriorizando aspectos diferentes da sua personalidade. Esta premissa pressupõe uma procura de individualidade com a definição do seu território psicológico. Pensa-se que, uma vez que vivem e crescem juntos, não querem ter o mesmo papel. O gémeo alfa escolhe qual é a parte da sua carta / personalidade que quer exteriorizar, e deixa a outra parte ao outro gémeo. Isto não quer dizer que perca completamente as outras características - simplesmente são menos visíveis.

As minhas observações confirmam esta teoria, e convido os leitores com gémeos nas vossas vidas a partilhar as vossas experiências. Foi a palavra “juba” que me alertou. Juba é uma palavra que evoca Leão, que é o ascendente da carta. As características físicas são representadas, sobretudo, pelo ascendente. Se a teoria da divisão da carta é correcta, isto quereria dizer que a Alice, fisicamente, teria aspectos aquarianos (signo oposto a Leão). A careca inicial da Alice pode ser interpretada arquetipalmente como original, estranha, consistente com a simbologia de Aquário.

A confirmar esta teoria, Vénus, Lua e planetas em Touro são energias doces, calmas, atentas a aspectos de segurança que, neste caso, estão do lado esquerdo da carta, juntamente com o ascendente em Leão, manifestadas pelo Oliver. Alice ficou, ou escolheu (será o gémeo alfa?) as energias do lado direito, mostrar ao mundo a originalidade aquariana, assim como Marte, o planeta da independência e agressividade que, com a conjunção com Urano, resulta num total desdém pelo perigo. No lado direito da carta também tem Júpiter e Plutão em Sagitário, o que lhe dá uma propensão para a aventura.

Donde vem essa necessidade de individualizar, de ser único, de ser diferente de qualquer outro? Será que a divisão vai durar para sempre? Intuitivamente sinto que cada um tem direito à expressão de todos os seus planetas, e pergunto a mim própria se mais tarde trocarão de características ou se sentirão tão seguros da sua individualidade que podem manifestar a totalidade das suas personalidades.

A vida de uma avó astróloga é cheia de interrogações, mistérios mas muito interessante.


Luiza Azancot
www.astrocape.com

3 comentários:

Ana LA disse...

Bom dia,
Fascinante, porque também tenho netas gémeas com apenas 6 minutos de diferença. São aparentemente gémeas falsas, fisicamente muito idênticas e muito dificilmente identificáveis. Uma é mais observadora e reservada, mimosa e colectora de afectos do que a outra que é mais gingona, palhaça, mas mais fiteira e ousada.
As estratégias de diferenciação ainda não são visíveis e o que noto é uma grande comunhão como se fossem continuação uma da outra. Separá-las não é fácil e para ajudar à festa, o irmão mais novo tem apenas 1 ano de diferença, fazem um trio único e indivisível que é curioso e divertido de observar.
Até 4ª feira.

JdB disse...

Nunca tive grande contacto com gémeos e, actualmente, dedico-me a identificar as netas da comentadora acima pelo número: 1 ou 2, conforme aparecem em primeiro ou segundo lugar, porque as vejo indiferenciáveis.
Será que este post, Luiza, é um bom argumento para quem descrê da astrologia, apesar da sua argumentação (quase) demolidora? Afinal, tudo estava no mesmo lugar e, de um minuto para o outro, há a juba e o seu inverso; o caramelo e o seu inverso... Será a tal divisão da carta? Hmmmm...

Maf disse...

Interessantissima esta sua teoria Luiza; embora não apreenda os aspectos técnicos que refere, a ideia global faz todo o sentido. Tenho dois sobrinhos gémeos - rapaz, rapariga - que em tudo se assemelham aos seus netos. Ela é um furacão, ele é uma brisa.
Maf

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