sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

d-e-c-a-n-t-a-ç-ã-o (*)

um poeta chamado nave escreveu
que 'vão cães acesos pela noite'
- um verso terrível.
mas a culpa, sabes tão bem quanto eu,
não é dos cães, fiéis amigos do seu fiel amigo.
a culpa é nossa (repete comigo: n-o-s-s-a).
n-o-s-s-a e dos nossos olhos (repete: n-o-s-s-o-s)
tingidos por imperfeição, medo, usura.
quando restar só açúcar e cinza,
talvez os teus olhos (repete: m-e-u-s)
tenham recuperado o H de umanidade.
o mesmo equivale para o t-e-u coração
- sideral constelação que homem algum
dia algum compreenderá (não eu, seguramente).
até lá, os dias são pequenos ciclos de vida e de morte,
peles que nos nascem e que deixamos para trás
numa reinvenção permanente
feita do instinto mais puro.
quando nada restar senão poeira cósmica,
haverá ainda assim estrelas para alguns de nós
e o t-e-u nome para sempre gravado no m-e-u céu,
como esse amor inteiro que t-r-a-z-e-m-o-s ao peito.
o resto é uma espécie de paisagem lunar,
abstracção que nunca alcançará a essência do sol.
esse sol - ou uma ideia de sol -
que Deus - ou uma ideia de Deus - 
bordou na t-u-a cartografia mais íntima.

gi.

(*) publicado inicialmente em 10.09.2010)

2 comentários:

Anónimo disse...

gi,

you are a gentleman.

Anónimo disse...

...na Nossa (repete: minha)paisagem lunar gi, há um(a ideia de) sol
...na Nossa (repete:minha) cartografia mais íntima há um amor inteiro que trazemos ao peito, bem juntinho do H.

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