sexta-feira, 13 de maio de 2016

O Fado, canção de vencidos

Orfãzita

Ficara triste a orfãzita
Triste sete anos de vida
Tão airosa e tão bonita
Toda de luto vestida

Mas disse-lhe um dia o pai
Vives aqui tão sózinha
E o teu paizinho vai
Dar-te uma outra mãezinha

Outra mãe não pode ser
Nós temos uma só mãe
Morreu e se outra vier
Eu quero morrer também

Um dia, a outra chegou
Toda a gente em festa linda
Só a pequena chorou
Sózinha, mais orfã ainda

E triste, devagarinho
Sem dizer nada a ninguém
Foi procurar um cantinho
Na sepultura da mãe

Letra de Francisco Radamanto

***

Paizinho (ou Não batas na mãezinha)

Certa noite desditosa
No meu lar abençoado
Esta cena se passou;
Zanguei-me com minha esposa
E no momento irado
Bati-lhe, e ela chorou

Nesse momento, e por fim
Depois de tudo acabar
Entre lágrimas e ais
Alguém se abraçou a mim
E me pediu, a chorar
Paizinho não batas mais

Tive tanta piedade
Quando o ouvi dizer também
Olha que se ouve na rua
Paizinho, por caridade
Não batas na minha mãe
Tem pena, recorda a tua

Minha mãe, tanto me encanta
Foi ela que me criou /
Diz chorando, a criancinha
Não batas naquela santa
Que tantas vezes tirou
Da boca dela p´ra minha

Dôr igual nunca senti
Quando vi na criancinha
Tão nobre sentir aquele
Com mil beijos prometi
Não bater mais na mãezinha
Chorando abraçado a ele

Letra de António Fonseca

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