sexta-feira, 27 de abril de 2018

Dos "frissons" que se desfazem

Já não tenho idade para grandes fetiches, mas não deixo de apreciar a beleza de algumas pessoas que só vejo na televisão. Não são, normalmente, belezas óbvias, aquelas que correspondem a cânones estéticos comummente aceites.

[a esse propósito, tenho um amigo que sempre se fascinou pela Merryl Streep. Quando lhe dizíamos que ela não era bonita, ele citava alguém que sobre alguém teria dito (não afianço a exactidão da frase): ele n'es pas belle, elle est mieux.] 

Por vezes é uma cor de cabelo, uma ligeira assimetria dos olhos, uma boca diferente, um sotaque, sei lá eu. Aconteceu-me isso com uma jovem senhora que era presença relativamente assídua nas televisões. 

Ontem, no lançamento do novo livro da Rita Ferro, 


ela, esta jovem senhora que faz a caridade de suscitar a minha atenção estética, estava lá. Podia ter-me apresentado, ter entabulado conversa, ter dito que graça isto ou aquilo. Muito pelo contrário, o meu frisson desvaneceu-se: um cabelo que não lembra ao diabo, umas botas que também não lembram ao diabo, umas calças demasiado justas para o meu gosto e para a ocasião. Em resumo, uma estética toda sofrível. Tudo se desmanchou quando um fotógrafo quis imortalizar a presença dela numa fotografia: imediatamente pôs um pé à frente, rodou uns graus, fez pose possidónia que doía. Por trás dela (mal sabia ela o fundo daquela sua fotografia), o Rei D. Manuel II e o Rei D. Luís, sérios nos seus óleos imponentes e nas suas fardas garbosas, não tugiam nem mugiam.

O assunto ficou resolvido dentro de mim, tudo graças Um Amante no Porto.

JdB


1 comentário:

Anónimo disse...

Todos os homens têm sonhos. Eu diria que têm pesadelos. Infelizmente, a maioria não se apercebe da realidade.
O que não é o vosso caso. Sempre fui, por dom divino, atento à realidade. Os meus amigos de juventude inquiriam aonde eu tinha o «caixote do lixo». Não tinha tal coisa.
Por exemplo, sempre achei que não preenchiam os meus critérios de beleza Sophia Loren, Brigitte Bardot, Marilyn Monroe, Anita Ekberg, entre muitas.
Mas já apreciava Gina Lollobrigida, Claudia Cardinale, Natalie Wood, Catherine Deneuve, Audrey Hepburn, Elisabeth Taylor, Greta Garbo, Ingrid Bergman.
Tendo sido criado entre mulheres bonitas, sempre olhei para uma mulher bonita como uma obra de arte. O sensual ou o sexual, não era importante. Sempre haverá aquelas que 'ficarão para tias'.

Cumprimenta, eo

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