terça-feira, 17 de abril de 2018

Crónica de um peregrino no Alentejo



Estou em Monsaraz. Podia falar dos pezinhos de coentrada que provei e cuja consistência me suscitou desinteresse; podia falar do vinho, do bom tempo, do fim de tarde glorioso, da antevisão de uma ida a Olivença, aquele enclave luso em terras castelhanas. Mas o que fixo é isto: o silêncio, a lonjura, o infinito, um ou outro regresso a uma adolescência feliz, a calma. Acima de tudo o silêncio, esse bem escasso nas sociedades modernas. 




Alentejo


A luz que te ilumina,

Terra da cor dos olhos de quem olha!

A paz que se adivinha

Na tua solidão

Que nenhuma mesquinha

Condição

Pode compreender e povoar!

O mistério da tua imensidão

Onde o tempo caminha

Sem chegar!...   

   

Miguel Torga, 1974, in "Antologia Poética"





2 comentários:

Anónimo disse...

Para mim, Monsaraz é um povoado misterioso. Cenário e geografia para contos ou filmes intemporais.
Alegro-me por ter ido lá.

eo

Laurus nobilis disse...

Pois... Compreendo! Uma pessoa apaixona-se por esse silêncio...

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