domingo, 2 de setembro de 2012

22º Domingo do Tempo Comum


Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

Falar sobre o evangelho de hoje é falar de leis, um tema sobre o qual não é fácil discernir no princípio de uma manhã de sábado que se prevê de muito calor. Mas as leis da Igreja são um tema importante e, quantas vezes, fracturante - para usar uma palavra muito em voga. De facto, não são raras as vezes que o que separa um cristão de um católico (ou, num linguagem mais actual, um católico não praticante de um católico praticante) são, exactamente, as leis. Alguém que não teve experiência religiosa quase nenhuma dizia-me várias vezes (e cito de cor): eu até gosto da ideia, não gosto é das regras do clube...

A Igreja Católica está repleta de leis. Não conheço a fundo as outras religiões, mas vou pensar que a realidade será semelhante, independentemente da quantidade ou nível de exigência. Muitas das leis nasceram num determinado contexto histórico que já não existe, pelo que muitos poderiam considerar que pura e simplesmente deveriam ser eliminadas. Um exemplo comezinho está na proibição da carne à 6ª feira durante a Quaresma. Por motivos que já não vale a pena explicar aqui, a lei não é para ser tomada à letra. Tem outro sentido, bastante óbvio - o do sacrifício, não em nome da mortificação do corpo, mas em nome de qualquer coisa maior.

Para os católicos a santidade é o objectivo de vida e as leis devem ser encaradas como caminhos de perfeição, numa tentativa de nos aproximarmos de Deus e de nos assemelharmos a Ele tanto quanto é possível. São desafios que servem para nos ajudar, não para tornar a nossa vida num inferno. Há leis difíceis? Seguramente que há! Há leis que parecem ser menos ajustadas? Pois há com certeza, e é por isso que se evolui, que se debate dentro da igreja, que se muda, por mais lentamente que seja. Mas querer só leis que não sejam exigentes, ou reduzir a moldura legislativa ao re-casamento ou ao celibato dos padres parece-me pobre e, sobretudo, pouco desafiante.

A qualidade do nosso catolicismo não se mede pelo número ou evidência das leis que cumprimos. Não cumprimos leis para os outros verem, não contabilizamos nada. Deveríamos fazer tudo isto recatados e discretos, para que este caminho que nos levará ao céu seja percorrido na companhia de Jesus, não de um holofote.

Hoje irei à missa, como sempre. Não porque é uma regra, mas porque é uma ferramenta que fará de mim (espera-se...) um homem melhor. 

Bom Domingo para os que me lêem (hoje ligeiramente mais extenso).

JdB

***
          
EVANGELHO – Mc 7,1-8.14-15.21-23

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
reuniu-se à volta de Jesus
um grupo de fariseus e alguns escribas
que tinham vindo de Jerusalém.
Viram que alguns dos discípulos de Jesus
comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar.
– Na verdade, os fariseus e os judeus em geral
não comem sem terem lavado cuidadosamente as mãos,
conforme a tradição dos antigos.
Ao voltarem da praça pública,
não comem sem antes se terem lavado.
E seguem muitos outros costumes
a que se prenderam por tradição,
como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –.
Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus:
«Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos,
e comem sem lavar as mãos?»
Jesus respondeu-lhes:
«Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas,
como está escrito:
‘Este povo honra-Me com os lábios,
mas o seu coração está longe de Mim.
É vão o culto que Me prestam,
e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’.
Vós deixais de lado o mandamento de Deus,
para vos prenderdes à tradição dos homens».
Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão
e começou a dizer-lhe:
«Ouvi-Me e procurai compreender.
Não há nada fora do homem
que ao entrar nele o possa tornar impuro.
O que sai do homem é que o torna impuro;
porque do interior dos homens é que saem os maus pensamentos:
imoralidades, roubos, assassínios,
adultérios, cobiças, injustiças,
fraudes, devassidão, inveja,
difamação, orgulho, insensatez.
Todos estes vícios saem lá de dentro
e tornam o homem impuro».

1 comentário:

Anónimo disse...

Ou como dizia hoje de manhã na Rádio Renascença o D. Manuel Clemente: manter o coração puro é a melhor maneira de prevenirmos os problemas. Se estivermos a ir sempre beber à fonte - rezando regularmente - o coração (hopefully!) não desenvolve sentimentos de orgulho, de cupidez, de inveja, de maledicência... o que nos liberta de termos de lidar com eles quando eles "saem" de nós, quando "explodem" do nosso interior. É o amor, é a pureza transformadora do amor, que aniquila o que é mau dentro de nós. Donde, o que sai de nós transforma-se em Bem e podemos viver livres e leves (que é o que toda a gente ambiciona). Gostei imenso desta análise, grosso modo apresentada, do D. Manuel Clemente. Sou grande fâ deste evangelho. Bjs. pcp

Acerca de mim

Arquivo do blogue