terça-feira, 4 de setembro de 2012

Duas últimas

Há uns dias, nestas romagens nostálgicas a que sempre me atiro, e vencido, também, por uma certa falta de inspiração para o blogue, fui ver o que estava a fazer naquele exacto momento, mas em 2008, quando estive no Zimbabwe. A crónica relatava o meu primeiro e único safari - uma experiência de luxo a preços módicos, um contacto próximo com a natureza africana, os animais à distância de um bafo. No dia anterior tinha escrito para Portugal, no que seria o princípio de uma conversa muito interessante e profícua, assente, também, em Mia Couto. Outra coincidência significativa.

Ontem, ao ter de escrever para a crónica Duas Últimas, fiz o mesmo exercício. Dia 3 de Setembro de 2008 estava a usufruir de uma das experiências que mais impacto teve nos meus sentidos: a subida à montanha mágica de Ngomakurira (a crónica pode ser lida aqui, para quem tiver vontade e paciência). Por mais anos que viva não esquecerei este dia, não só pela simpatia do convite, pela beleza esmagadora da paisagem mas, também, pela sincronicidade: ao meu lado, por puro acaso do destino, caminhava uma pessoa que não me conhecia (nem eu a ela) e me levaria, no dia seguinte, à ala das crianças com cancro de um hospital de Harare.

Tive a sorte de viajar muito, sozinho ou acompanhado, com amigos ou em família. Sem desprimor por todas as viagens e por todas as companhias, nada se comparará nunca ao Zimbabwe - até pelas circunstâncias em que fui. Ali encontrei tudo: beleza, extensão, cor, música, ritmo, simplicidade, amizade, companhia, saudades, futuro. Entre a sensualidade de uma dança no Pointe e o destino de uma casa no Macuti transformada em orfanato, tudo se aproveitou, de tudo se construiu alguma coisa.

Peço desculpa, mas hoje é dia de Zimbabwe (embora a música seja sul-africana). Vejam o vídeo e dancem.

JdB
    

3 comentários:

ACC disse...

Que bem que descreve o que se sente quando se vive África. Não basta lá ir, tem de se viver. Os cheiros, a terra, as gentes, a luz, a música, os sons do silêncio, as cores, os sabores, a imensidão, eternidade... toda a energia e vontade procurar uma vida que valha, de facto, a pena ser vivida.
Tichamboenda - ainda hoje não sei o que quer dizer, mas ouvi esta palavra pela primeira vez neste mesmo dia.

Anónimo disse...

A musica negra africana em pleno.
Subsrevo na integra o comentário de ACC sobre o texto.
Abraço,
fq

Anónimo disse...

Que video e música tão giros, tão cheios de vida, de alegria! Já bastante ocidentalizado, quer-me parecer, mas uma excelente mistura de África e "Ocidente". Quem me dera lá ter estado. Não conseguiria estar parada de certeza absoluta!. Obrigada. pcp

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