quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Diário de uma astróloga – [35] – 26 de Setembro de 2012

China e a astróloga detective

Uma comentadora deste blog sugeriu-me que partilhasse a minha visão astrológica sobre a China.

O primeiro passo é encontrar uma carta da China que reflicta o momento do seu nascimento. Não é fácil. As origens do estado chinês remontam ao segundo milénio AC. Já mais perto temos a carta da queda da dinastia imperial Manchu e a tomada de possa do republicano Sun Yat-sen a 1 de Janeiro de 1912. Mas ao general Yuan ShiKai tinha sido prometida a presidência se o Imperador abdicasse. Puyi, com 6 anos, abdicou e, para quem viu o filme de Bertolucci “O ultimo Imperador” sabe que se seguiram anos de confusão, invasões japonesas, retorno ao trono de Puyi, exílios de Sun Yat-sen, tomadas de poder dos nacionalistas de Chian Kai-shek. Toda esta instabilidade só acabou com Mao Tsé-Tung. No 21 de Setembro de 1949, na sessão de abertura da primeira Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, no fim do discurso de abertura, Mao declarou “Viva a República Popular da China”. Isto foi a primeira vez que foi anunciada a existência da China como a conhecemos hoje.

Durante essa conferência, que durou até 30 de Setembro, Mao foi eleito Presidente e, no dia 1 de Outubro, perante o povo reunido na praça Tiananmen, anunciou a constituição do governo da nova república que já tinha tomado posse em privado na véspera.

Há muitos astrólogos que consideram a manifestação de 1 de Outubro como carta da China actual. Tem a vantagem de se saber a que horas foi, 3:15 da tarde. Mas, olhando para esta carta como astróloga, tenho que dizer não. Lua no signo de Aquário está conjunta ao Ascendente, o que quereria dizer que o povo chinês é progressista e o elemento principal da nova China. Mas há pouco tempo li a biografia do Mao da autoria de Jung Chang, conhecida por ter escrito “Cisnes Selvagens”. O co-autor desta biografia é o Jon Halliday, um Visiting Research Fellow do King’s College em Londres, o que tira qualquer laivo de romance a este livro.  Foi um abrir de olhos, pois o sofrimento dos chineses durante a guerra contra os japoneses e nacionalistas, as torturas e atrocidades cometidas pelo Mao contra o seu próprio povo, antes e depois de 1949, são inimagináveis. O povo chinês não pode ser apresentado pela Lua em Aquário com o solarengo trígono ao Sol Balança.

Na carta de 21 de Setembro, a Lua está em Virgem: povo cumpridor, trabalhador, humilde e obediente, numa conjunção a Saturno o que demostra obstáculos, dificuldades, carências, restrições impostas pelo líder supremo. Já me sinto mais perto do quadro descrito por Jung Chang.

Não encontrei em parte nenhuma a confirmação histórica da hora do discurso do Mao.  Quando não sabemos a que horas um acontecimento se realizou usamos o meio-dia. O que me dá um ascendente em Sagitário. O resto do mundo não vê a China moderna com características de optimismo, de abertura…  não me parece correcto.

A última CCPPC começou a 3 de Março de 2012 às 15:00. Os chineses são muito agarrados à tradição e, por isso, não me admira que a escolha das 3 da tarde seja determinada pela hora a que se realizou a primeira em 1949. Também sei que o Mao detestava levantar-se cedo. Nesta carta, a conjunção Lua/ Saturno fica na casa 8, casa do sofrimento. Aí também está o Sol, que representa Mao, uma vez que foi ele o primeiro presidente. Na casa 8 estão ambos o torturador e torturados, o opressor e os oprimidos.  


O Mc representa o poder do governo ou do comité central e está em Escorpião – poder escondido, muita manipulação secreta, falta de transparência. A ascendente, como os outros vêem a China, está em Capricórnio, conjunto a Júpiter, literalmente a imagem da grande engrenagem. 

Marte  representa a parte mais agressiva de uma nação e Plutão o desejo de controlar, de dominar, estão juntos na casa 7,  das relações com outras sociedades. Por esta carta não me parece que a China respeite aliados e tratados de paz e aproveita o comércio (representado por Mercúrio) para exercer as suas tendências imperialistas, uma vez que Plutão e Mercúrio estão num ângulo de 60⁰, que significa oportunidade.

O que me faz pensar que as minhas deduções estejam correctas são os trânsitos a esta carta durante a maior contestação ao regime em Junho de 1989 em Tiananmen Square. Nessa altura Plutão por trânsito estava no MC da carta da China, significando literalmente o desafio ao poder.

Pelos meus cálculos, a grande transformação da face da China ocorrerá quando Plutão passar no Ascendente entre 2018 e 2020. Entretanto, entre Dezembro próximo e Setembro de 2013, quando Saturno cruzar Vénus (moeda de um País) verificaremos a validade desta carta se se der uma considerável desvalorização do yuan.


Luiza Azancot

1 comentário:

ALA disse...

Não tenho conhecimentos para argumentar, nem para acrescentar qualquer informação relevante, mas todo este exercício é para lá de interessante.
Bom dia LA

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