domingo, 9 de setembro de 2012

Domingo …… Se Fores à Missa !


 Há um mês, comentava eu que não conseguia imaginar o que seria ter fome, já que estou tão habituada a ter a comida em cima da mesa, sem grande esforço. Privilegiada !

Hoje, dou comigo a pensar o que seria não ter língua para falar, ouvidos para ouvir, olhos para ver. Dizem que os surdos-mudos são pessoas extremamente felizes e tranquilas.  Acredito, plenamente, que o sejam.  O facto de não estarem, diariamente, expostos aos ruídos da civilização moderna,  proporciona-lhes um silêncio interior, só comparável – penso eu – ao dos monges tibetanos.

É certo, também, que nunca conhecerão uma sinfonia de Beethoven, o chilrear de um passarinho ou o riso de uma criança, embora, ao que parece, eles consigam sentir a vibração das notas musicais.

Considero o silêncio um bem escasso, difícil de encontrar nos dias de hoje e mais difícil, ainda, de manter. Mesmo quando a nossa boca está calada, a nossa mente não pára de falar, os nossos ouvidos não param de escutar. Tento ir, uma vez por semana, a um local tranquilo, ali para os lados do Palácio da Ajuda, onde nos ensinam a meditação “Raja Yoga”. Apesar do nome, a meditação “Raja Yoga” nada tem a ver com Yoga ou com práticas de defesa pessoal. Tem a ver com o silêncio interior, com práticas de espiritualidade, com paz e harmonia, com a arte dos bons relacionamentos, com a natureza e o que ela nos pode dar.  Ensinam-nos a travar o ruído exterior e a concentrar-nos no silêncio interior.  Às vezes, quando lá estou, lembro-me dos surdos-mudos e penso como, para eles, será tão fácil entender este conceito do silêncio interior.

No Evangelho de hoje, Jesus opera um milagre no surdo-mudo e fá-lo ouvir e falar.  No mundo de hoje, precisávamos de um milagre diferente; precisávamos que o milagre se operasse no nosso coração, por forma a deixarmos de ser surdos-mudos para a realidade que nos rodeia, para as injustiças, para a violência, para a miséria, para a prepotência e arrogância.

Domingo, Se Fores à Missa ………. Procura o Silêncio Interior !

Maf

  
EVANGELHO Mc 7, 31-37

«Faz que os surdos oiçam e que os mudos falem»

Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Efatá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar correctamente. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».

Palavra da salvação.

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