quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Diário de uma astróloga – [69] – 15 de Janeiro de 2014

Vénus: Estrela da Noite / Estrela da Manhã

No passado dia 11 de Janeiro Vénus juntou-se ao Sol no que se designa por “conjunção inferior”, em que Vénus está alinhada com o Sol mas posicionada entre este último e a Terra. É o princípio de um ciclo de 584 dias, o equivalente venusiano a uma Lua Nova. É também a época em que Vénus deixa de aparecer no firmamento como estrela da noite para reaparecer, mais brilhante do que nunca, como estrela da manhã. 

Quando Vénus se aproximou do Sol ficou ausente dos céus em termos visuais no dia 1 de Janeiro, tocou no Sol no dia 11 e continua ausente até ao dia 17 de Janeiro, dia em surge como estrela da manhã. Permanece como estrela da manhã durante cerca de 260 dias, desaparece novamente com a proximidade da conjunção superior (agora é Sol que está entre a Terra e Vénus) e reaparece como estrela da noite onde permanece durante 260 dias. Todo este ciclo – ciclo sinódico de Vénus - dura 584 dias. A matemática deste ciclo é fascinante mas ficará para um próximo post. O gráfico abaixo mostra a diferença entre as duas conjunções, com a Terra representada a castanho e Vénus a azul.



Este fenómeno intrigou os nossos antepassados. Os Egípcios consideravam a estrela da manhã e a estrela da noite como dois planetas diferentes. Os Maias sabiam que era o mesmo planeta e davam imensa importância ao ciclo de Vénus, sobretudo ao aparecimento da estrela da manhã. Acreditavam que depois Vénus desaparecer, “beijava” o Sol e ao surgir era mais vermelha, mais agressiva e assim escolhiam esta época como propícia para sacrifícios e início de guerra. 

Os Gregos e posteriormente os Romanos sabiam que era o mesmo planeta mas usavam duas mitologias diferentes. Chamavam Phosphorus ou Lucifer (sem qualquer ligação ao significado satânico da palavra) à estrela da manhã para ilustrar o seu brilho (lux = luz, fer = quem traz) e Héspero à estrela noite.

Ao interpretar Vénus astrológica no mapa natal além de tomar em atenção signo, colocação, ângulos com outros planetas, regências, retrogradação, etc., levo em conta se se apresenta como estrela da manhã ou estrela da noite.

Vénus simboliza entre outras coisas como nos relacionamos com os outros. Quando estrela da manhã significa que essas pessoas são extrovertidos relacionais, aproximam-se dos outros de uma forma espontânea, antecipando coisas boas e quando desiludidos, traídos ou abandonados não se deixam abater e recuperam rapidamente. As pessoas que tem Vénus como estrela da noite são relacionalmente mais introvertidas, não se lançam impulsivamente nos relacionamentos, o que não quer dizer que não sejam capazes de estarem intensamente apaixonadas. Dentro do seu mundo privado, contido em si mesmo, os desapontamentos são sentidos com profundidade e deixam feridas que podem demorar mais tempo a sarar.

Agora, estão com curiosidade em saber se a vossa Vénus natal é Lucifer ou Héspero?

É fácil, olhe para o seu tema natal. Procure o Sol, Vénus nunca pode estar muito longe (47 graus é a máxima distancia). Se encontra Vénus no sentido dos ponteiros do relógio é estrela da manhã, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio é estrela da noite.

Os amigos, clientes e os leitores que me seguem regularmente sabem que nestes últimos três anos tenho vivido em Roma, cidade onde a energia venusiana é fortíssima. Énea, o fundador de Roma dizia-se filho de Vénus. O Templo de Vénus e Roma (também uma divindade) era o maior templo da Roma antiga cujas ruínas ainda se podem ver no Foro Romano. Mesmo de hoje em dia se sente a energia venusiana desta cidade pela grande visibilidade dos temas sob a sua regência: a beleza, a importância da boa comida, o enorme número de floristas e lojas de lingerie que se vêm nas ruas.   

Flores à venda no Campo dei Fiori

Estou a passar os meus últimos 10 dias em Roma. Cheguei dia 7 e parto no dia 17 de Janeiro. Estas datas não foram escolhidas por mim mas sim determinada pelas circunstâncias do trabalho do meu marido. Durante estes dias Vénus está invisível do céu. A astróloga em mim não pode deixar de sorrir ao notar que mais uma vez o Universo se manifesta e a indica-me que é tempo de partir.

Luiza Azancot

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