quinta-feira, 9 de julho de 2015

Efeméride dos dias que correm

S. Miguel, Açores, Maio de 2015


Soube esta 3ªfeira, por mão amiga, que tinha morrido Alberto Vaz da Silva.

Sobre ele só poderei escrever petits riens, porque mal o conheci. Há uns anos inscrevi-me num curso de grafologia no Centro Nacional de Cultura. Fi-lo por um gosto antigo e nada trabalhado de olhar para a caligrafia do próximo mas, também, por quem ministrava o curso – Alberto Vaz da Silva, de quem ia lendo coisas.

Como em muitas ocasiões – e partilhei a impressão com o meu amigo ATM, a tal mão amiga – o curso foi feito antes de tempo. Era ao fim do dia e eu ainda me constituía como empregado fabril. Por outro lado, o meu tempo cerebral ou emocional ainda não estava orientado para aquele curso, ocupado a resolver outros assuntos. Olho para trás e lamento não ter aproveitado mais.  

Sobre ele escreveu, no Expresso, o Pe. Tolentino Mendonça:

Ele vislumbrou uma nova relação com o real, feita já não de oposições e distâncias, como se a vida não fosse um mistério único, mas sublinhando corajosamente os traços de união, os hífens inesperados, as continuidades. E assim nos mostra que não há pequeno ou grande, não há cósmico nem quotidiano, não há interno ou exterior: por todo o lado e em todas as coisas está, pelo contrário, latente a mesma espantosa proposta que a vida em si mesma é.

Em Dezembro do ano passado, Laurinda Alves entrevistou-o para o Observador (de onde também retirei a citação acima).

Vale a pena ouvir, até porque são seis minutos, parece-me: fala de cosmos, de luz interior, da procura do “eu”, da justificação do divino e das possíveis mudanças. E fala de silêncio interior, algo que me foi - e é ainda - tão caro.

Os desgostos da vida ensinam a arte do silêncio, diria Séneca.

JdB

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