sexta-feira, 31 de julho de 2015

Da beleza e da beleza

O que distingue um pôr-do-sol de um pôr-do-sol? O que distingue um quadro de um quadro? O que distingue um poema ou um música de um poema ou de uma música? O que distingue, no fundo, a beleza da beleza? A resposta está na diferença entre as duas frases: é bonito mas não me diz nada ou é bonito e diz-me tudo.

Toda a arte nos interpela; toda a natureza - nada mais do que arte viva - nos interpela. Um quadro, um soneto, uma música, um renque de flores verdes, um mar alteroso, o vento a soprar baixinho na planície, a lonjura do céu. Dentro daquilo que se convenciona chamar "belo", tudo nos provoca uma emoção. É bonito mas não me diz nada.

Uma fracção da arte agarra-nos pela mão: aquele poema, aquele quadro, o mar a perder de vista ou o silêncio que nos tranquiliza a alma. São objectos, momentos, imagens que nos encaminham para uma lembrança, uma perda, uma alegria, para pessoas que são da nossa história de ontem ou de hoje, ou que calcorrearam as nossas ruas. Nesse momento só há duas pessoas no mundo: quem canta, quem escreveu, quem esculpiu e nós, esses nós que se deixam levar pela mão, que sustentam o olhar com o artista, porque no fundo no fundo, no meio de uma multidão de espectadores, não há mais ninguém: nós e ele. É bonito e diz-me tudo.

JdB

1 comentário:

Rita Freitas disse...

Este texto para alem de belo diz muito. No meu caso "É bonito e diz-me tudo" :)

Bjs e bom fim de semana

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